Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Esclarecimento
Depois de estar mais de um ano impedida de aceder a este blogue, devido ao cancelamento da conta de email a ele associada, consegui finalmente resolver esse problema e voltar a escrever aqui. Entretanto, para dar continuidade a este trabalho, criei outro blogue que pode ser encontrado no seguinte endereço:
http://emportuguescorrecto.blogs.sapo.pt
Será a esse endereço que se deverão dirigir, pois assim que terminar a cópia dos textos aqui arquivados, cancelarei definitivamente este blogue.
Quinta-feira, 19 de Abril de 2007
Ter de ou Ter que?
Qual será a forma correcta?
a) Tenho que me ir embora.
b) Tenho de me ir embora.
Escolheu “tenho que”? Pois é, realmente ouve-se tantas vezes este erro que até o tomamos como certo. Mas a frase correcta, neste caso, é a da alínea b). Vejamos porquê:
- Ter que usa-se no sentido de “ter algo para”. Usamos esta expressão quando antes do “que” podemos subentender as palavras “algo”, “coisa” ou “coisas.
- Ter de serve para exprimir “dever”, “obrigação”, “desejo” ou “necessidade” em relação a alguma coisa. Assim, tomando o exemplo inicial, “tenho de me ir embora” significa que se tem necessidade ou se é obrigado a ir embora.
Vejamos mais alguns exemplos:
- Tenho de estudar. = sou obrigado/ tenho necessidade de estudar
Tenho que estudar. = tenho muitas coisas para estudar
- Tenho que comer. = tenho alimentos para comer.
Tenho de comer. = tenho necessidade, ou devo comer.
Plural de palavras compostas
Formação do plural de palavras compostas – 1
1 – Qual o plural de decreto-lei?
Quando a palavra é formada por dois nomes com o mesmo estatuto e idêntica contribuição para o significado da palavra, ambos os elementos vão para o plural. Por isso, dizemos:
o decreto-lei - os decretos-leis
(= o diploma é simultaneamente decreto, porque foi elaborado pelo Governo e uma lei)
Caso a palavra seja formada por um nome e outro com valor de determinante específico desse nome, especificando-o, limitando-o ou referindo a sua função só o primeiro elemento vai para o plural.
Exemplos:
Navio-escola - Navios-escola
(navio que serve de escola)
Homem-rã - Homens-rã
(homem que age como rã, não se trata de uma verdadeira rã)
2 – Qual o plural de pé-direito
A este termo usado para indicar a altura do pavimento ao tecto, formado por um nome e um adjectivo, aplica-se a regra do exemplo anterior, ou seja, ambos os elementos vão para o plural.
Assim:
Pé-direito - pés-direitos
Amor – perfeito – amores-perfeitos
Surdo-mudo - surdos-mudos
Terça-feira, 17 de Abril de 2007
Colocação de pronomes - 2
Em que situações devemos colocar o pronome antes do verbo?
Vejamos alguns exemplos de colocação errada do pronome:
a) Ele não disse-me nada.
b) Quem disse-te isso?
c) Que tudo corra-te bem!
d) Quando ontem deitei-me, ouvi barulho na rua.
e) Ambos sentiam-se felizes.
Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, entre outras situações, devemos colocar o pronome antes do verbo quando:
a) nas orações há uma palavra negativa (não, nunca, jamais, ninguém, nada, etc.) e entre ela e o verbo não há vírgula.
Assim, devemos dizer e escrever:
- Ele não me disse nada.
- Nunca me tinha apercebido disso.
- Ninguém me avisou.
b) nas orações iniciadas com pronomes e advérbios interrogativos.
- Quem te disse isso?
c) nas orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo.
- Que tudo te corra bem!
- Bons olhos o vejam!
d) Nas orações subordinadas desenvolvidas.
- Quando ontem me deitei, ouvi barulho na rua.
e) quando o sujeito da oração, anteposto ao verbo, contém o numeral ambos ou algum dos pronomes indefinidos (todo, tudo, alguém, outro, qualquer, etc.)
- Ambos se sentiam felizes.
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
Colocação de pronomes - 1
1 – Qual a forma correcta?
a) Devemo-nos sentar.
b) Devemos sentar-nos.
c) Devemos sentarmo-nos.
Segundo a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, quando se trate de locuções verbais formadas por um verbo auxiliar e um verbo principal no infinitivo ou gerúndio, podemos ligar o pronome átono ao verbo auxiliar ou ao verbo principal. Assim, as formas a) e b) estão correctas.
Já em relação à alínea c) esta não se pode considerar válida porque o infinitivo está flexionado (conjugado) e não devia estar porque o sujeito do verbo auxiliar (dever) é o mesmo e já está subentendido na terminação deste (devemos = nós) pelo que não há necessidade de o voltarmos a repetir.
Assim, podemos dizer:
Devemo-nos sentar e Devemos sentar-nos
Devemo-nos assoar e Devemos assoar-nos
Mas não:
Devemos sentarmo-nos
Devemos assoarmo-nos
Da mesma forma é válido dizer:
Vem-me buscar ou vem buscar-me
Quinta-feira, 5 de Abril de 2007
Ecrã, ecran ou écran?
Devemos escrever:
a) Eles não saíram da frente do ecrã;
b) Eles não saíram da frente do ecran
ou
c) Eles não saíram da frente do écran?
A forma correcta é a da alínea a). Esta é a forma portuguesa da palavra francesa écran.
Quarta-feira, 4 de Abril de 2007
Calçar ou vestir luvas?
Devemos dizer calçar as luvas. Esta escolha verbal está relacionada com o facto de usarmos o verbo calçar quando queremos dizer que “vestimos” os membros inferiores. Como as mãos também são membros, embora superiores, por analogia empregamos o mesmo verbo. Assim, dizemos:
- Calçar os sapatos
- Calçar as meias
- Calçar as luvas
Terça-feira, 3 de Abril de 2007
Entretinha ou entretia?
Qual das expressões está correcta?
a) Eu entretinha as pessoas.
b) Eu entretia as pessoas.
Ao contrário do que se costuma ouvir e ler, a forma correcta do verbo entreter é “entretinha”. Este verbo é formado a partir do verbo “ter” e, por isso, segue a sua conjugação. Assim:
Eu tinha - Eu entretinha e não entretia
Tu tinhas – Tu entretinhas e não entretias
Ele tinha – Ele entretinha e não entretia
Terça-feira, 6 de Março de 2007
Aonde ou onde?
Onde = lugar em que/ em que (lugar). Indica permanência, o lugar em que se está ou em que se passa alguma coisa. Complementa verbos que exprimem estado ou permanência e que normalmente pedem a preposição em:
- Onde estás? – Em casa.
- Onde mora a Maria?
- Não entendo onde ele estava com a cabeça quando falou nisso.
- Não sei onde me apresentar nem a quem me dirigir.
Aonde = a que lugar. É a combinação da preposição a + onde. Indica movimento para algum lugar. Dá ideia de aproximação. É usado com os verbos ir, chegar, retornar e outros que pedem a preposição a. Exemplos:
- Sabes aonde eles foram? – Ao cinema.
- A mulher do século 21 sabe muito bem aonde quer chegar.
- Aonde nos levará esta discussão?
- Estavam à deriva, sem saber aonde ir.
- Há lugares no universo aonde não se vai sozinho.
Domingo, 25 de Fevereiro de 2007
Com ou sem hífen
A língua portuguesa, como qualquer língua viva, está sempre a evoluir. Enquanto algumas palavras vão caindo em desuso e desaparecem, muitas outras surgem. E este nascimento de novas palavras, muitas vezes formadas a partir de outras, causa-nos dúvidas na escrita.
A colocação ou não de hífen é um dos problemas que nos surgem com frequência. Esta dificuldade pode ser atenuada se conhecermos algumas regras.
1. Auto-estrada ou autoestrada? Infra-estrutura ou infraestrutura?
O prefixo auto exige hífen quando o segundo elemento é independente (uma palavra com significado próprio) e começa por uma vogal, h, r ou s. Assim, escrevemos auto-estrada, mas escrevemos autobiografia. A mesma regra aplica-se a outras palavras formadas com os elementos gregos: “contra”, “extra”, “hetero”, “infra”, “neo”, “proto”, “pseudo”, “supra” e “ultra”. Por isso, enquanto o Acordo Ortográfico de 1990 não entrar em vigor, devemos escrever:
- Hetero-avaliação
- Neo-republicano
- Infra-estrutura
- Supra-renal
Mas:
- Neologismo
- Pseudónimo
- Supranumerário
2. Mal-criado ou malcriado?
O prefixo “mal”só se separa se o segundo elemento começar por vogal ou h.
Portanto, escreve-se malcriado, mas mal-educado.
A mesma regra aplica-se com o prefixo “pan”, como por exemplo em pan-helénico.
3. Superhomem ou super-homem?
Com “hiper”, “inter” e “super” aplica-se hífen antes de h ou r como em super-homem, inter-regional ou hiper-ridículo.
4. Sub-urbano ou suburbano?
Palavras formadas com “sob” ou “sub” têm hífen antes de b, h ou r. Daí que se escreva suburbano, mas sub-reino e sob-roda.