Em Bom Português
A Língua Portuguesa merece ser protegida. Vamos aprender a escrever e a falar Em Bom Português.
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A cerca de/ acerca de/ há cerca de

sexta-feira, 25 novembro, 2005 | 08:18 PM

Estes três termos causam algumas dúvidas e muitas vezes surgem escritos ou empregados de forma errada. Vamos então proceder à distinção:

a cerca de = perto de, aproximadamente, à volta de
acerca de = sobre, a respeito de, relativamente a, quanto a
há cerca de = existem perto de, faz aproximadamente

Exemplificando:

Essa loja fica a cerca de cem metros daqui. (=aproximadamente a cem metros...)
Ele vai dar uma conferência acerca de problemas ortográficos. (= sobre)
Há cerca de dois anos que não o vejo. (=faz aproximadamente)

Exercícios:

Complete com as expressões a cerca de, acerca de ou há cerca de.

a) A minha casa fica __________________ cinco minutos da escola.
b) O rapaz deu respostas correctas ____________________ todos os assuntos.
c) Ele deixou de fumar ___________________ dois meses.
d) ____________________ números, aconselho-te a leres este artigo.
e) Comecei este trabalho ______________________ de uma semana.
f) A passadeira está _______________________ cem metros da paragem.

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Socialização e sociabilização, qual a diferença?

sexta-feira, 25 novembro, 2005 | 07:07 PM

Socialização é um substantivo derivado do verbo socializar e significa "desenvolvimento do sentimento colectivo da solidariedade social e do espírito de cooperação nos indivíduos associados; processo de integração mais intensa dos indivíduos no grupo". Noutro contexto pode significar "apropriação pelo Estado dos meios de produção".
Sociabilização provém do verbo sociabilizar que significa tornar sociável. Ou seja, sociabilização é o processo de tornar um indivíduo próprio para viver em sociedade.

Fontes: Dicionário da Língua Portuguesa, 8.ª edição, Porto Editora.
Dicionário Priberam online

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Acentuação das palavras terminadas em -mente

quarta-feira, 16 novembro, 2005 | 02:53 PM

Um erro que verifico com frequência é a acentuação dos advérbios de modo terminados em -mente. Isto acontece quando os advérbios são formados a partir de adjectivos acentuados, como por exemplo, rápido. Acontece que se rápido é uma palavra esdrúxula (=acentuada na antepenúltima sílaba), caindo a sílaba tónica em , rapidamente, tem a sílaba tónica em men.
Assim:

fácil - facilmente
ágil - agilmente
agradável - agradavelmente
....

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De mais/ Demais

domingo, 13 novembro, 2005 | 08:34 PM

a) De mais significa demasiado, a mais. É o oposto de "de menos".

Ex. Ela é bonita de mais.
Ele come de mais, por isso está gordo!
Está calor de mais para o meu gosto.

b) Demais pode significar:

1. além disso, de resto

Ex. Chega de conversas; demais, dói-me a cabeça

2. os outros, os restantes

Ex. A Maria e os demais alunos não tiveram aulas.

Nota: esta é a opinião mais frequente das obras que consultei.

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Entretanto/ entre tanto

sábado, 12 novembro, 2005 | 12:02 PM

Convém desde já esclarecer que ambas as formas existem, mas que designam coisas diferentes.
Entretanto tanto pode ser a) um advérbio de tempo, com o significado de "neste ou naquele meio tempo ou intervalo" (Dicionário da Língua Portuguesa, 8.ª edição, Porto Editora), como b) um substantivo masculino sinónimo de intervalo de tempo.

Exemplos:
a) Entretanto ele decidiu ir embora.
b) E naquele entretanto ela apareceu.

entre tanto é uma expressão formada pela preposição em e o pronome indefinido tanto e usada em situações como:

«Entre tanto que tinhamos para dizer, acabámos por não dizer nada»

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Têm ou têem

sexta-feira, 11 novembro, 2005 | 10:52 PM

Destas formas só a primeira está correcta. Têm (que se pronuncia tãem) é a forma verbal correspondente à terceira pessoa do plural do verbo ter (eles têm).
Porque confundimos esta palavra?
A resposta é simples, confundimos esta forma verbal por a associarmos a outros verbos que nos parecem similares como os verbos ver (eles vêem) e ler (lêem). Mas devemos associar o verbo ter ao verbo vir (eles vêm).
Por isso, não confundir:

Eles vêem bem. / Eles vêm de casa.
Eles lêem muitos artigos. /Eles têm muitos artigos. .

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Estória ou história

sexta-feira, 11 novembro, 2005 | 10:14 PM

A palavra estória surgiu para distinguir a ficção de factos reais. Assim, vimos aparecer a estória da Carochinha.
Estória era uma forma antiga de escrever a palavra história e agora parece ter sido recuperada. A razão do seu reaparecimento na nossa linguagem escrita ainda não reúne o consenso dos estudiosos destas questões da língua. Uns pensam tratar-se de uma influência do português do Brasil, outros uma tentativa de copiar a distinção inglesa story/history. Independentemente do modo como apareceu, importa dizer que não aparece na maioria dos dicionários de língua portuguesa. Quanto a mim, parece-me que se trata de uma moda, pois não vejo a necessidade de usar uma outra palavra já que sempre distinguimos a história (factos ficcionais) da História (factos históricos). E até me dizerem o contrário, vou continuar a falar da história da Carochinha.

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Obrigado/Obrigada (resposta a questão enviada por email)

quinta-feira, 10 novembro, 2005 | 03:23 PM

«Mas o empregado na pastelaria disse obrigada a uma senhora!» Esta foi a admiração de um aluno estrangeiro quando lhe ensinei que por ser rapaz deveria dizer sempre obrigado. Realmente, muitas pessoas acham que a palavra "obrigado" deve variar conforme a pessoa a quem nos dirigimos, mas é uma ideia errada. Obrigado deve ser usado sempre por um elemento do sexo masculino, independentemente do sexo da pessoa a quem se dirigir. Consequentemente, a palavra obrigada, é utilizada pelo sexo feminino. Assim:

- Obrigado! - disse o funcionário à senhora.
- Obrigada. - disse a funcionária ao senhor.

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Agradecimento

quinta-feira, 10 novembro, 2005 | 03:16 PM

Quero agradecer a todos os que têm deixado mensagens de apreço pelo meu trabalho. Merecer o destaque dos blogs do sapo foi algo que me encheu de orgulho e com vontade de continuar. Eu não sou um poço de sabedoria, apenas tento, tal como quem me visita, responder às minhas dúvidas e aprender mais um bocadinho com as dúvidas que me colocam. Gosto de pesquisar, de investigar e de tentar reproduzir de forma clara as respostas que encontro. Não tenho certezas absolutas sobre nada e para algumas questões tenho descoberto que não há mesmo uma verdade absoluta. Por isso, sempre que não obtiver certezas, indicarei isso no artigo. Mais uma vez, obrigada pelas vossas palavras e espero que continuemos juntos a melhorar as nossas competências em língua portuguesa.

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Novo serviço

domingo, 6 novembro, 2005 | 01:22 AM

Está disponível um índice de temas que será actualizado à medida que os artigos forem sendo publicados. Espero que vos seja útil.

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Um pai natal, dois ? (resposta a questão enviada por email)

domingo, 6 novembro, 2005 | 12:27 AM

Qual o plural de pai natal?

Em princípio só deveríamos ter um Pai Natal, mas não é isso que acontece... eles proliferam por aí. São os pais natais, porque natal tem aqui a função de adjectivo, logo concorda com o substantivo (pais).

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Bem haja ou Bem aja (resposta a pergunta enviada por email)

domingo, 6 novembro, 2005 | 12:24 AM

A forma correcta é bem haja. Trata-se de uma forma de agradecimento, equivalente a "tenha tudo de bom".

Ex: "Bem haja, pela ajuda que me deu"

Quanto ao uso ou não de hífen, nos dicionários portugueses encontramos a expressão separada, nos brasileiros, a expressão aparece unida. Se estamos em Portugal, utilizemos, portanto, bem haja.

Quanto a "bem aja" não funciona propriamente como uma expressão, mas também pode ser usada como um conselho: bem aja = execute algo bem, faça algo bem, proceda de maneira correcta.

Enquanto "haja" é uma forma do verbo haver, "aja" é uma forma do verbo agir.

E já agora, bem haja por visitar o meu blog.

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Apresentar-se-à ou apresentar-se-á?

domingo, 6 novembro, 2005 | 12:19 AM

Eis um erro que dava com frequência... Pois a forma correcta da acentuação do a é com acento agudo (á). Afinal até é fácil de entender. Em primeiro lugar, temos de ter consciência de que o acento grave na nossa língua só surge em 7 palavras, a saber, à (contracção de a + a), às, àquele, àquela, àquelas, àqueles, àquilo. Para além disto, temos de perceber que a forma apresentar-se-á é a conjugação pronominal reflexa, no futuro do indicativo, do verbo apresentar. Dito de uma forma mais simples, apenas adicionámos o pronome se ao verbo, separando o radical da terminação. Ou seja, fez-se isto:


apresentará = apresentar + á
apresentar-se-á = apresentar+se+á

O mesmo acontece com outros pronomes:

apresentar-lhe-á
dirigir-se-á
dar-lhe-ás


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Bem-vindo senhor Benvindo

domingo, 6 novembro, 2005 | 12:09 AM

Esta é uma palavra que por aparecer escrita de variadas formas, suscita a dúvida. Contudo, a forma correcta é bem-vindo, isto quando queremos dar as boas-vindas a alguém, por exemplo ao sr. Benvindo.

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Por favor, eu queria um café! (resposta a Anabela)

sexta-feira, 4 novembro, 2005 | 12:54 AM

A frase acima enunciada é correctíssima. O uso do pretérito imperfeito do indicativo («queria») para fazer um pedido, é uma forma de demonstrar polimento, educação e não de referir um acto passado, como parece que as pessoas o querem interpretar. Anabela, se calhar preferem que lhes dêem ordens! Já não se pode ser educado...

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"Pois"... agora onde é que coloco a vírgula? (resposta a Pereira)

sexta-feira, 4 novembro, 2005 | 12:30 AM

A questão colocada por Pereira está relacionada com o uso da pontuação em relação às conjunções, neste caso "pois". Dá-nos este leitor do blog três frases:

1. Eu sei fazer isto, pois tenho aptidão.....
2. Eu corro muito pois, gosto de fazer exercicios
3. Eu tenho amigos. Pois, dou-me com toda gente.

Comecemos por uma breve explicação da função de "pois". Trata-se uma conjunção coordenativa que pode introduzir uma explicação ou uma conclusão. Em qualquer uma das frases anteriores, as orações são coordenadas explicativas. Ora, para separarmos as orações temos de o fazer usando um sinal de pontuação. Qual? A vírgula. E onde a colocamos? Antes da conjunção.

Assim:
1. Eu sei fazer isto, pois tenho aptidão.
2. Eu corro muito, pois gosto de fazer exercicios.
3. Eu tenho amigos, pois dou-me com toda gente.

O mesmo se passa com as conjunções "mas", "portanto", "ou", etc.

Ex. Eu gostava de viajar, mas não tenho dinheiro.

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Recursos para um bom português (resposta à Cidalia)

quinta-feira, 3 novembro, 2005 | 11:53 AM

Ninguém precisa de se sentir mal por não falar bem português, mas o facto de se aperceber e de reconhecer isso, é muito bom. Como podemos, então, melhorar o nosso nível em Língua Portuguesa? Antes de qualquer outra coisa a palavra chave é ler. Era esse o conselho da minha professora da Escola Primária e o conselho que ainda hoje tento seguir e partilhar. Ler o quê? Tudo, tudo o que nos garanta alguma qualidade na escrita: jornais, revistas, mas sobretudo livros, muitos livros segundo o gosto e as apetências de cada um. Em geral os livros oferecem-nos algumas garantias de qualidade, dado que, em princípio, passam por um processo de revisão exaustivo. É claro que a leitura não resolve todos os problemas e às vezes coloca alguns, no que diz respeito, por exemplo, à não compreensão do vocabulário. Nessa altura há que recorrer a um recurso importantíssimo: o dicionário. Quando os problemas passam pela oralidade, por estarmos inseridos num meio em que o nível do português falado é pouco cuidado, surgem-nos posteriormente algumas dúvidas sobre o que falamos está correcto ou não, e depois não sabemos como passar o que dizemos para a escrita. É nessas alturas que temos ao nosso dispôr outras ferramentas essenciais: o Prontuário Ortográfico e a Gramática. O prontuário auxilia-nos nas nossas dúvidas ortográficas. A maioria contém uma lista das dúvidas mais frequentes, como por exemplo a confusão entre à e , para além de uma lista considerável de palavras que são escritas erradamente com frequência. Quanto à gramática, bem para sabermos escrever correctamente numa língua, temos de a dominar. Contudo, para quem não esteja muito à vontade com termos como morfologia e sintaxe, pode vir a ter alguns problemas em recorrer a este auxiliar para resolver as suas dúvidas. Outros recursos: Há um livro que uso com alguma frequência, apesar de achar que o modo como está organizado não é dos melhores, que contém vasta informação sobre problemas da oralidade e da escrita. Trata-se de Saber Escrever, Saber Falar de Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão, das edições Dom Quixote. A mais valia deste livro é a quantidade de exemplos que possui. Numa livraria, por certo, será possível encontrar livros com este carácter, sei que têm sido publicados vários. A internet também pode ser uma ajuda. Nela podemos encontrar dicionários online, correctores ortográficos, mas eu destaco o site Ciberdúvidas que pode encontrar em http://ciberduvidas.sapo.pt. E claro, também se pode encontrar auxílio neste blog.

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